NEUROANATOMIA – CEREBELO documento

septiembre 7, 2007 at 11:51 am Deja un comentario

fuente:www.sistemanervoso.com

Localizado na fossa posterior do crânio, recoberto superiormente pela tenda do cerebelo (camada de dura-máter), o cerebelo (“pequeno cérebro”) fica localizado no espaço infra-tentorial (contato direto com a base do crânio) sendo recoberto pelo lobo occipital. O tronco cerebral fica anterior ao cerebelo, ficando à frente do bulbo e da ponte. O cerebelo possui uma forma quase ovóide, sendo mais estreito na porção mediana, o vérmis cerebelar. Há dois hemisférios cerebelares, sendo presos ao tronco encefálico pelos pedúnculos cerebelares inferiores, médios e superiores. O cerebelo possui três lobos: anterior, médio (posterior) e flóculo-nodular. Entre o lóbulo anterior e o médio há uma grande fissura, denominada fissura primária ou fissura prima. Outra fissura deve ser destacada: fissura horizontal, encontrada ao longo da margem do cerebelo, separando suas superfícies superiores e inferiores.

A estrutura cerebelar, melhor discutida na neurofisiologia, possui um córtex cerebelar e substância branca, semelhante ao cérebro, contendo núcleos cerebelares. O cerebelo era antigamente denominado árvore da vida, por seu aspecto, em corte sagital, de árvore. Neste corte sagital observamos as seguintes estruturas no sentido horário: véu medular superior, língula, lóbulo central, cúlmen, fissura primária, declive, folha do verme ou fólium, túber do verme, pirâmide do verme, úvula do verme, nódulo, véu medular inferior, além das tonsilas, da fissura horizontal e do lóbulo biventre, que fogem à descrição no sentido horário. O córtex cerebelar pode ser dividido em três camadas (externa-interna): a) camada molecular (célula estrelada e célula em cesto); b) camada das células de Purkinje (são grandes neurônios – classificados como neurônios de Golgi tipo I – possui diversas espinhas dendríticas) e c) camada granular (possui fibras musgosas).

Cerebelo. Estrutura celular diferenciando as três camadas do cerebelo: camada molecular, camada de células de Purkinje e camada granulosa.

Neuroanatomia Funcional Cerebelar –

O cerebelo pode ser funcionalmente dividido em três áreas funcionais como que representando um homúnculo parecido, mais menos específico, daquele encontrado nos giros pré-centrais e pós-centrais do córtex cerebral. Assim, o vérmis influencia no movimento do corpo axial isto é: pescoço, ombro, tórax, quadril e abdome. Lateralmente ao vérmis, encontramos uma zona intermediária do hemisfério cerebelar, controlando as porções distais dos membros (mãos e pés) e, por fim, uma zona lateral do hemisfério cerebelar parece estar envolvida no planejamento dos movimentos de todo o corpo, detectando também erros nesses cálculos.

Os núcleos cerebelares (neurônios multipolares) que encontramos na substância branca do mesmo são identificados como denteado (maior núcleo cerebelar – eferente), emboliforme, globoso e fastígio. O vérmis cerebelar assemelha-se muito ao tronco encefálico, possuindo pouca substância branca, já nos hemisférios direito e esquerdo há abundante quantidade de fibras mielinizadas, portanto, substância branca. Encontramos fibras intrínsecas (não saem do cerebelo), fibras aferentes (entram pelos pedúnculos cerebelares inferiores e médios e fibras eferentes (saem do cerebelo passando pelos núcleos cerebelares saindo pelo pedúnculo cerebelar superior – exceção ao núcleo fastígio que sai pelo pedúnculo cerebelar inferior).

As fibras trepadeiras (ascendem pelo córtex cerebelar) e musgosas (vias terminais de todo tracto aferente cerebelar – estimulam milhares de células de Purkinje) constituem as linhas de entrada cerebelar, despolarizando as células de Purkinje. As células estreladas, em cesto e de Golgi possuem funções de interneurônios inibitórios, modulando a movimentação muscular. Os núcleos cerebelares recebem informações sensoriais excitatórias e, logo em seguida, informações inibitórias, para modular o movimento.

O cerebelo, por fim, conecta-se ao mesencéfalo pelo pedúnculo cerebelar superior, à ponte pelo pedúnculo cerebelar médio a ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior.

O estudo da fisiologia cerebelar nos mostra que o cerebelo é responsável pelos movimentos voluntários, recebendo informações do córtex cerebral e também dos fusos neuromusculares e órgãos tendinosos de Golgi. O cerebelo percebe o equilíbrio pelo nervo vestibular e a visão pelo trato tecto-cerebelar. A circuitaria cerebelar seria responsável pela modulação destas informações exercendo coordenação dos movimentos estimulando e inibindo movimentos.

Fibras Aferentes Cerebelares – Origem Cortical (Cerebral)

1. Via córtico-ponto-cerebelar: lobo frontal, parietal, temporal e occipital – corona radiata – cápsula interna – núcleos pontinos (fibras transversas da ponte – decussação) – pedúnculo cerebelar médio – cerebelo.

2. Via córtico-olivo-cerebelar: lobo frontal, parietal, temporal e occipital – corona radiata – cápsula interna – núcleos olivares inferiores – decussação – pedúnculo cerebelar inferior – cerebelo.

3. Via córtico-retículo-cerebelar: áreas sensoriais e motoras (giro pós-central e pré-central, respectivamente) – formação reticular – pedúnculo cerebelar inferior – cerebelo.

Fibras Aferentes Cerebelares – Origem Medular (Espinhal)

1. Tracto Espino-Cerebelar-Anterior (informações músculo-articulares dos membros superiores e inferiores): raiz posterior medular – decussação – tracto espino-cerebelar-anterior – pedúnculo cerebelar superior – córtex cerebelar.

2. Tracto Espino-Cerebelar-Posterior (informações músculo-articulares do tronco e dos membros inferiores): raiz posterior medular – tracto espino-cerebelar posterior – bulbo – pedúnculo cerebelar inferior – cerebelo.

3. Tracto Cúneo-Cerebelar (informações músculo-articulares dos membros superiores e porções superiores do tórax): núcleo cuneiforme (bulbo) – pedúnculo cerebelar inferior – cerebelo.

O núcleo vestibular emite informações sensoriais vinda do sáculo e do utrículo relativas a gravidade, posição, entrando no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior.

Fibras Eferentes Cerebelares

1. Via Globoso-Emboliforme-Rubra (movimentação ipsilateral): núcleo globoso e emboliforme – pedúnculo cerebelar superior – decussação – tracto rubro-espinhal – decussação.

2. Via Via Dento-Talâmica (influencia na movimentação voluntária): núcleo denteado – pedúnculo cerebelar superior – decussação – núcleo ventrolateral do tálamo contralateral – cápsula interna e corona radiata – área motora cortical (cerebral) primária.

3. Via Fastígio-Vestibular (facilita o tônus ipsilateral dos músculos extensores): núcleo fastígio – pedúnculo cerebelar inferior – núcleo vestibular lateral (bilateralmente) – tracto vestíbulo-espinhal.

4. Via Fastígio-Reticular (influenciam na atividade motora segmentar espinhal): núcleo fastígio – pedúnculo cerebelar inferior – formação reticular.

Estruturas a serem consideradas no estudo neuroanatômico do cerebelo: Flóculo; Nódulo; Fissura póstero-lateral; Verme; Lóbulo semilunar anterior; Fissura primária; Lóbulo semilunar posterior; Fissura pós clival; Lóbulo semilunar superior; Fissura horizontal; Lóbulo semilunar inferior; Fissura pré-piramidal; Lóbulo biventre; Tonsila do cerebelo; Núcleo denteado; Lingula; Lóbulo central; Cúlmen; Declive; Folium; Túber do verme; Pirâmide do verme; Úvula do verme; Nódulo; Hemisfério cerebelar direito e esquerdo.

Divisão Filogenética do Cerebelo –

1. Arquicerebelo (equilíbrio): envolve os canais semi-circulares como também os órgãos otolíticos. O nódulo é a estrutura relacionada ao arquicerebelo.

2. Paleocerebelo (músculo): responsável pela manutenção da postura, do tônus e da coordenação motora. As estruturas relacionadas ao paleocerebelo são: língula, lóbulo central, cúlmen e porções da pirâmide e da úvula.

3. Neocerebelo: relacionado à coordenação motora, movimentos finos e assimétricos. As estruturas relacionadas ao neocerebelo são: declive, folium, túber do verme e maior parte da pirâmide e da úvula.

Considerações Clínicas –

a) Síndrome do Arquicerebelo: acomete crianças com menos de 10 anos de idade; relacionado a tumores presentes no tecto do IV ventrículo. Haverá perda do equilíbrio.

b) Síndrome do Paleocerebelo: acomete alcoólicos; há degeneração do lobo cerebelar anterior com marcha com base alongada e ataxia.

c) Síndrome do Neocerebelo: ataxia é o sintoma mais evidente com grande incoordenação motora. Devemos considerar a presença de:

- Dismetria: perda da capacidade de “dosar” a intensidade do movimento.

- Decomposição: são movimentos complexos multiarticulares.

- Disdiadococinesia: há dificuldade do paciente em realizar movimentos rápidos.

- Rechaço: você propõe ao paciente que realize flexão do antebraço contra sua resistência, ao remover abruptamente a resistência, os braços do paciente batem contra seu próprio corpo, não há parada do movimento.

- Tremor cerebelar característico e nistagmo.

* Síndrome do Vérmis: ocasionada mais comumente pela presença do meduloblastoma (tumor característico da faixa etária pediátrica). A incoordenação motora ocorre em estruturas da linha média (cabeça e tronco) mas não nos membros. Há tendência a cair, para frente ou para trás, observa-se incapacidade de manter a cabeça ereta.

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NEUROANATOMIA – CEREBELO – (IMAGENS – PARTE I) NEUROANATOMIA – TRONCO ENCEFÁLICO – (IMAGENS – PARTE V)

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