NEUROANATOMIA – SISTEMA LÍMBICO E FORMAÇÃO RETICULAR

septiembre 6, 2007 at 11:47 am Deja un comentario

NEUROANATOMIA – SISTEMA LÍMBICO E FORMAÇÃO RETICULAR

fuente:www.sistemanervoso.com

Formação Reticular

Possui essa denominação devido a sua estrutura macroscópica: uma rede ou malha de fibras nervosas que se estende por todo o neuroeixo (desde a medula espinhal até o cérebro). Esta rede situa-se entre os tractos e núcleos nervosos, há influencia da formação reticular em todos os feixes nervosos ascendentes e descendentes. Dentre suas diversas funções a formação reticular dita o nível de consciência, lesões em suas estruturas levam o indivíduo ao coma (sistema reticular ativador ascendente – SRAA).

A formação reticular é dividida em três colunas: mediana, medial e lateral. Seus corpos celulares influenciam em diversas sensações somáticas, viscerais, no sistema nervoso autônomo e sistema endócrino.

Dentre os núcleos que fazem parte da formação reticular devemos citar: Núcleos da Rafe (conjunto de oito núcleos produtores de serotonina); Lócus Cerúleos (situado no assoalho do IV ventrículo, secretor de noradrenalina); Substância Cinzenta Periaquedutal (situada ao redor do aqueduto do mesencéfalo – realiza regulação analgésica) e Área Tegmentar Ventral (presente no tegmento do mesencéfalo produtor de dopamina).

NEUROFISIOLOGIA. As funções da formação reticular incluem

1. Controle do músculo esquelético: influenciam a atividade dos neurônios motores através dos tractos retículo espinhal bulbar e retículo espinhal pontino. Regulam o tônus muscular bem como a atividade reflexa. Controlam também os centros respiratórios através do estímulo para inspirar. A expressão facial emocional também é função da formação reticular.

2. Controle da sensibilidade somática e visceral: a formação reticular pode influenciar todas as vias ascendentes para os níveis supra-espinhais.

3. Controle do sistema nervoso autônomo: controle central do SNA é realizado via tractos retículo-espinhal pontino e bulbar, descendendo até a saída simpática e parassimpática.

4. Controle do sistema nervoso endócrino: por via dos núcleos hipotalâmicos a formação reticular consegue controlar a atividade da hipófise.

5. Influências sobre os relógios biológicos: influenciam nos ritmos cerebrais e hormonais.

6. Sistema reticular ativador ascendente – SRAA: o controle do despertar cerebral bem como o nível de consciência é controlado pelo sistema reticular. No sono, a formação reticular bloqueia qualquer estímulo sensorial que possa “atrapalhar” o córtex, evitando o despertar.

7. Integração de reflexos: estímulos no SRAA originam controle vasomotor, controle do vômito, da deglutição, da locomoção e da mastigação. Centros vegetativos incluindo os centros respiratórios, circulatórios e digestórios são controlados pela formação reticular.

8. A formação reticular ainda possui neurônios monoaminérgicos no tronco encefálico: encontramos as vias serotoninérgicas (núcleo da Rafe), via noradrenérgica (lócus cerúleos) e via dopaminérgica (Área Tegmentar Ventral e Substância Negra – via nigro-estriada; via mesolímbica; via mesocortical e via túbero-infundibular).

Conexões da Formação Reticular

a) Cérebro: via talâmica e extratalâmica // via hipotalâmica e via sistema límbico.

b) Cerebelo

c) Medula: através dos tractos retículo espinhal pontino e bulbar além do tracto espino-reticular.

d) Nervos Cranianos: os nervos olfatório, vestíbulo-coclear, óptico e feixe prosencefálico medial conecta-se com a formação reticular.

Sistema Límbico

Como já comentado em capítulos anteriores, o termo límbico vêm de margem ou borda e o termo sistema límbico caracteriza-se numa série de estruturas marginais que compõem suas funções. O sistema límbico representa, de forma geral, nossas emoções, Istoé, todo comportamento emocional advém da atividade de neurônios que compõem as estruturas pertencentes ao sistema límbico. Dentre as emoções, atribuímos ao sistema límbico o sorrir, chorar, sentir, a tristeza, a alegria, a compulsão, o prazer, o orgasmo, o medo, a raiva e assim por diante. Fica um tanto claro que quando este sistema não esta funcionando adequadamente podemos apresentar sintomas que nos remete aos psiquiatras ou mesmo aos neurologistas e neurocirurgiões.

As estruturas que compõem o sistema límbico, em conjunto, denominadas circuito de Papez, são citadas abaixo:

1. Giro Subcaloso
2. Giro do Cíngulo e Istmo do Giro do Cíngulo
3. Giro Para-Hipocampal
4. Hipocampo
5. Núcleo Amigdalóide
6. Corpos Mamilares
7. Núcleo Anterior do Tálamo
8. Habênulas

As estruturas que interconectam estas estruturas, não podendo ser confundidas com estruturas propriamente ditas do sistema límbico são: fórnix, fimbria, tracto mamilotalâmico, álveo e a estria terminal.

Devemos apenas lembrar que o hipotálamo, o próprio tálamo (núcleos anteriores e dorsomediais) além da área pré-frontal estão envolvidas no comportamento emocional, reacional e motivacional.

Formação do Hipocampo

O hipocampo é uma estrutura presente bilateralmente no cérebro e possui forma de um cavalo marinho. A formação do hipocampo consiste no próprio hipocampo, no giro denteado e no giro para-hipocampal.

O hipocampo é formado anteriormente pelo pé do hipocampo. Sua superfície é recoberta por epêndima, abaixo do qual existe uma fina camada de substância branca denominada álveo – o álveo consiste em fibras nervosas originadas no hipocampo que convergem para formar a fímbria do hipocampo. A fímbria se continua para formar a perna do fórnix. O giro denteado é uma faixa de substância cinzenta situada entre a fimbria do hipocampo e o giro para-hipocampal. A fímbria continua-se posteriormente tornando-se indúsio gríseo. O indúsio gríseo é uma delgada camada de substância cinzenta que recobre o corpo caloso. Incrustada na superfície superior do indúsio gríseo existem feixes de fibras brancas denominadas estrias longitudinais laterais e mediais. Anteriormente ao giro denteado encontramos o úncus do lobo temporal.

O giro para-hipocampal fica entre a fissura hipocampal e o sulco colateral.

Núcleo Amigdalóide. Recebeu esse nome por assemelhar-se a uma amêndoa. Situado na parte anterior e superiormente à ponta do corno inferior do ventrículo lateral, fundido com a cauda do núcleo caudado.

Vias de Conexão do Sistema Límbico

Álveo – formará o feixe conhecido como fimbria – perna do fórnix – as duas pernas (ou cruras) do fórnix (bilateralmente) convergem para formar o corpo do fórnix, conforme as cruras do fórnix se aproximam elas são unidas por fibras transversas denominadas comissura do fórnix (fibras decussam unindo os dois hipocampos) – o corpo do fórnix dá origem às colunas do fórnix originando os corpos mamilares. Daí em diante o tracto mamilotalâmico liga o corpo mamilar com o núcleo talâmico anterior. A estria terminal é uma estrutura que emerge da face posterior do núcleo amigdalóide percorrendo a porção medial do núcleo caudado terminando sobre o assoalho do corpo do ventrículo lateral.

A estrutura cortical do giro para-hipocampal é dada por 6 camadas celulares enquanto que o hipocampo é formado por apenas 3 camadas celulares: camada molecular, camada piramidal e camada polimórfica. O giro denteado também possui 3 camadas, semelhante ao hipocampo só que ao invés da camada piramidal há a camada granular.

Conexões Aferentes do Hipocampo.

1. Fibras do giro do cíngulo.
2. Fibras dos núcleos septais.
3. Fibras do hipocampo contralateral.
4. Fibras do indúsio gríseo.
5. Fibras da área entorrinal.
6. Fibras do giro para-hipocampal e giro denteado.

Conexões Eferentes do Hipocampo: Fibras do fórnix que se distribuem para

1. Fibras que passam por trás da comissura anterior entrando no corpo mamilar terminando no núcleo medial.

2. Fibras terminando nos núcleos anteriores do tálamo.

3. Fibras terminando no tegmento mesencefálico.

4. Fibras passando à frente da comissura anterior para terminar nos núcleos septais, área pré-óptica lateral e parte anterior do hipotálamo.

5. Fibras que se unem na estria medular do tálamo para atingir núcleos habenulares.

Os neurofisiologistas consideram atualmente o hipotálamo uma importante via de saída do sistema límbico.

Aspectos Clínicos e Funcionais do Atribuídos ao Sistema Límbico –

Através do hipotálamo e aferencias do sistema nervoso autônomo (e seu controle sobre o sistema endócrino) influenciam diversos aspectos do comportamento emocional: medo, raiva, comportamento sexual, ambos já mencionados no início do capítulo. Quanto ao hipocampo, atribuímos a ele a função da conversão da memória a curto prazo para memória a longo prazo. As lesões no hipocampo cursam clinicamente com amnésia anterógrada.

A formação reticular pode ser acometida em episódios convulsivos deprimindo a atividade dessa estrutura no diencéfalo.

A esquizofrenia é uma doença que cursa com embotamento afetivo, retração emocional, alucinações, pensamentos psicóticos e alterações graves no comportamento. A doença caracteriza-se por um excesso de dopamina no cérebro, sendo seus sintomas aliviados quando administramos neurolépticos (bloqueadores de receptores dopaminérgicos).

Destruição parcial ou total do complexo amigdalóide resulta num comportamento onde a agressividade torna-se muito sutil ou mesmo desaparece, observa-se também instabilidade emocional e inquietação com hipersexualidade, pacientes masturbam-se no próprio leito hospitalar. Ablação bilateral do complexo amigdalóide origina uma síndrome denominada Klüver-Bucy caracterizada, além dos sintomas já citados, pela apreciação dos objetos com a boca.

Outro distúrbio associado ao sistema límbico inclui as epilepsias do lobo temporal cursando com alterações no comportamento, automatismos e amnésias pós ictal.

A figura acima representa uma neurocirurgia estereotáxica para ablação seletiva da amígdala bem como do hipocampo, procedimento denominado amigdalohipocampectomia.

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NEUROANATOMIA – SISTEMA LÍMBICO E FORMAÇÃO RETICULAR – (IMAGENS – PARTE I) NEUROANATOMIA – NÚCLEOS DE BASE – (IMAGENS – PARTE III)

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